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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vamos Chamar o Vento

Certa vez fui contar histórias numa escola e durante o trabalho a professora me pediu que eu fizesse uma sessão de histórias para as crianças da creche social que a escola mantinha. Lá fui eu.
Ao entrar na sala, as crianças estavam sentadas diante de uma televisão enorme assistindo os dedinhos da Eliana. As professoras sentadas num canto recortavam qualquer coisa com cara de tédio absoluto.
A coordenadora que me acompanhava, entrou na sala me apresentou às professoras, que sorriram apenas, e foi logo desligando a TV. As crianças continuaram nas mesmas posições, sem esboçar qualquer reação.
Bom dia, disse eu. Nada aconteceu. Seus olhos continuavam fixos no aparelho desligado.
Sentei-me no chão, respirei fundo e comecei minha abordagem. Nada aconteceu. O aparelho desligado ainda guiava seus olhos e emoções.
Comecei uma história. Sem sucesso. As crianças não estavam ali.
Comecei a ficar aflita, buscava dentro de mim recursos para trazer aquelas crianças pra junto da história, mas eu me sentia vazia. Uma sensação esquisita. Se eu me levantasse e saísse, acho que elas nem notariam.
A história corria solta. Eu já havia me levantado, andado, sentado e nada acontecia com aquelas crianças. Comecei a esquecer o texto, recorria a tudo e nada.
Derrepente, um vento forte bateu na janela e levantou com força a cortina. Uma das crianças olhou sem mais e disse apenas: - tia olha o vento.
Olhei para a janela, sem qualquer esperança.
O vento soprou novamente dessa vez mais suave.
Todas as crianças olharam pra janela, o tédio começava a se dissolver.
Respirei fundo. Me veio uma canção de Caymmi na cabeça... “Vamos chamar o vento...” e convidei as crianças para chamar o vento.
Juntos, chamávamos o vento baixinho e longo, numa nota só. Mais da metade do tédio agora ia com o vento.
Mas eu precisava ser rápida, porque chamar o vento iria se esgotar na próxima pausa.

Os Contos de Fadas e Histórias

- Vocês sabiam que as fadas moram no vento?
- ...
- Elas querem entrar, podemos chamá-las? – Sim. –
Então vamos bater palmas. As palmas trazem as fadas pra perto.
Muitas palmas.
– Olha, tem uma fada no seu cabelo! – risos
– Tem uma no seu nariz. - mais risos.
– Quantas fadas??
– Sejam bem vindas! ...
Risos e mais risos.
- Tia?! Olha! tem uma fada na sua boca.
Tomei nas mãos delicadamente a fada que estava na minha boca.
Olhei atentamente para ela. E disse bem baixinho:
- ela quer contar uma história. Pode? ...
Devolvi a fada pra minha boca e comecei a contar uma, duas, três e mais e mais histórias.
Todos os olhinhos me seguiam pela estrada do conto.
Quando terminei, eles queriam mais.
Correram pra minha direção. Me abraçavam e me beijavam. Não queriam que eu fosse embora. Fui saindo com alguns deles grudados na minha saia.
Desci uma longa escada tremendo e suando frio.
Derrepente um nó na garganta e um choro que veio sem eu me dar conta. 
Sai do colégio tonta. 
Tinha vontade de correr e gritar.
Só muito mais tarde já em casa, é que me dei conta do milagre que ocorrera naquela manhã.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Hoje Visto Meu Traje Real


Hoje visto meu traje Real;
Minha capa de lençol, 
Meu chapéu de papel que rima com Maribel.
Hoje visto meu traje Real.
Pés descalços saio a galope em meu cabo de vassoura.
Pulo pra cá e pra lá, habito o saci que há em mim.
Porque hoje é meu aniversário.
E por ser dia tão bonito faço um bolo de terra, acendo velas de gravetos;
Me esparramo na grama contando nuvens, lambendo os dedos.
Hoje visto meu traje Real.
Porque sou Rainha do Castelo do Céu;
Hoje visto meu traje Real.
Porque os Gêmeos em mim habitam um eterno brincar;
E só por gosto, hoje visto meu traje Real.
E por ser dia tão bonito convido a criança que há em ti pra se juntar à roda e cantar:


"O Pião Entrou na roda, ó pião!
O Pião Entrou na roda, ó pião!
Roda Pião, Bambeia Pião
Roda Pião, Bambeia Pião"


Tela "Brincando Roda" de Ivan Cruz (http://www.brincadeirasdecrianca.com.br)



sábado, 6 de março de 2010

Tem Sentido Contar um Conto?



Vivo me perguntando se as histórias que conto, fazem sentido pra quem as ouve.

Difícil saber. 

Penso que se por alguma razão alguma palavra daquele conto ou causo ou lenda me tocou, imagino que de alguma forma chegará também naquele que com os olhos atentos me escuta.

Escolho o texto por gostar das palavras. Por gostar da alma do texto. Por gostar de me sentar em roda e contar. As vezes invento na hora com ajuda da platéia, e posso garantir que saem coisas fantásticas, mas que só fazem sentido para aquele grupo. O grupo me conta através de palavras e imagens em que ponto do conto da vida estão.

Sim, porque nossas vivências são imagens arqueológicas saídas dos mitos clássicos.

E se uma história me perpassa, é porque naquele momento estou naquele ponto do conto da vida.

E sei que a pergunta nunca se calará. Haverá dias que terei respostas, noutros ficarei sem nada entender.

Contar Histórias é resignificar nossas Histórias. Talvez por isso, terei muitas perguntas e poucas respostas.

terça-feira, 2 de março de 2010

Meu Melhor Bom Dia do Dia.



Postei hoje no meu Orkut uma frase de José Mindlin que diz: "Quem pega o gosto pela leitura na infância tem esse gosto para o resto da vida", logo após uma amiga querida, a Lau, postou o seguinte recado:


"Bom dia amore, concordo com a frase que vc colocou em seu perfil, aqueles livrinhos que você deu a Úrsula, fez com que ela se apaixonasse pela leitura. Pra vc ter ideia, ela me pediu de aniversário que eu a levasse em uma livraria, para que ela pudesse escolher um livrinho de presente. Fiquei toda orgulhosa, bjus nos pimpolhos...te amo Bel!!!"


Depois de uma declaração dessas o que mais eu posso dizer?

Meus olhos se encheram d´água, fiquei profundamente emocionada. Foi meu melhor presente. Meu melhor Bom Dia do dia.

Depois perguntei a ela se podia publicar aqui o seu recado, ela me respondeu:

"Pode sim Bel, afinal você é a culpada, rsrs. Obrigada amiga e quando tiver livrinhos para doar lembra dela, Bjus."

Quero morrer carregando essa Culpa! Eita Culpa Boa!

Vem Tuitá Comigo